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Foto do escritor: Anna Cecília Junqueira
Anna Cecília Junqueira
há 26 minutos

Lembro de entrar no Café Piu-Piu à tarde com meus 19 anos para uma reunião de produção com o dono da casa. Um homem de cabelos longos, tatuagens, cigarros e cinzeiros espalhados sobre revistas, papéis e latas vazias no fim de um corredor escuro. Confesso que tinha um cheiro diferente aquele lugar, o mesmo que depois eu voltei a reencontrar na festa Gambiarra - cheiro de casa noturna durante o dia, quando a cerveja que caiu no chão à noite seca e gruda. Eu, na época, era jornalista do Jornal da Tarde e produtora de uma banda do meu irmão, que também nestes tempos beirava os 20 e poucos anos e tocava para se divertir. Parece que esse talento para viver várias profissões ao mesmo sempre foi meu tesão. Montei um book de apresentação da banda com minha cara de pau e intuição e fui lá tentar uma pauta. E conseguimos, veja só. Acho que isso foi em meados de 2000, época em que eu já pensava em desistir do jornalismo e viver de arte, e foi um dos primeiros aprendizados de que o velho ditado "o não já temos, vamos tentar o sim" é real e possível de se concretizar. Sempre fui chegada a fazer aquilo que nunca fiz e acho que isso pautou 90% das minhas decisões de vida até o momento, inclusive o de ter uma filha.


Esta semana voltei ao Piu-Piu, agora como produtora do Clapton Maniacs, projeto do cantor e guitarrista Marco Camaro, e também meu companheiro amado, que estou produzindo através da Mulher Telepática - minha agência e produtora que criei há 2 anos, logo depois que saí da Gambiarra. Quem coordena o espaço lá agora é o Paulo, o filho do Luiz, que é extremamente competente e simpático. O lugar, que é um clássico de São Paulo, está lindo, reformado, com equipamentos de som de alta qualidade e um serviço de atendimento maravilhoso. Recomendo muito fazer um programa por lá e descobrir mais a história daquele espaço que já foi um teatro, depois uma oficina, até se tornar uma casa de shows.


Eu entrei esta semana ali com meu corpo flutuando naquele espaço amplo. Era o mesmo lugar, o mesmo palco, a mesma plateia, mas diante da Anna quase 30 anos depois. E pensei em como nossos impulsos corajosos da juventude e cheios de paixão moldam a forma como somos, acreditamos e também os caminhos que escolhemos, às vezes inconscientemente. De alguma forma aquela Anna menina olhou para a produtora de agora com orgulho pelo caminho percorrido. Já com mais conhecimento, mais experiência, menos ansiedade, mais determinada e ainda muito curiosa sobre tudo e todos. Curiosa sobre música, pessoas, projetos e formas de se realizar coisas bonitas no mundo. O show ontem foi uma dessas coisas bonitas que a gente chama de experiência inesquecível. Os músicos dançavam com as mãos nos instrumentos embalando aquelas pessoas que se recusavam a ir embora mesmo já sendo muito tarde pra uma quinta feira. E eu, que ali não estava como atriz no palco, mas como produtora artística, olhando de longe, brindei a possibilidade de ser esse canal que conecta talentos e pessoas desejosas de viver uma noite diferente, especial, ao vivo, longe das telas e dispostas a serem surpreendidas pela arte. Uma noite que dá sentido à Mulher Telepática e sinaliza o caminho aberto pra mim. Obrigada a todos que foram. Obrigada ao sr. Luiz, rockeiro já falecido, que me recebeu com simpatia há 30 anos e me ensinou que basta coragem e movimento para transformar uma ideia em realidade. É assim que vivo aquilo que crio na minha mente e é assim que também estimulo quem anda e cria ao meu redor. As criações só nascem quando chegam nesse mundo e precisamos abrir espaço e dar estrutura para que elas se materializem.




  • Se você leu até aqui, também vou te contar que parte da renda arrecadada nos shows do projeto "Clapton Maniacs" é revertida para o CrossRoads Centre Antigua, um do maiores centros de recuperação de pessoas viciadas em álcool e drogas do mundo, criado e mantido até hoje pelo Eric Clapton. Ah, e você pode também se tornar um claptonmaniac seguindo a página @clapton.maniacs no insta e acompanhando nossos shows!


  • E, se você também é uma dessas pessoas curiosas como eu que quer ser surpreendida por experiências culturais presenciais, cadastra seu contato de email aqui no site e segue a Mulher Telepática nas redes sociais ( @mulhertelepatica ) para acompanhar os próximos movimentos intuitivos que faremos por aqui!


Nos vemos em breve!


Abraços telepáticos.


Anna Cecília.


 
 
 
Foto do escritor: Anna Cecília Junqueira
Anna Cecília Junqueira
10 de set.

Por muito tempo me senti dividida entre ser uma pessoa criativa e artista e uma mulher com uma visão de negócios e empreendedora. Parecia que uma coisa não poderia coexistir com a outra, como se uma face minha engolisse a outra toda vez que era ativada, ao estilo de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, do clássico O Médico e o Monstro (Robert Louis Stevenson).

Qual era a melhor? Nunca soube dizer, pois a sensação de estar incompleta era permanente dentro de mim. Me sentia às vezes menor, menos criativa, menos capaz de gerenciar um negócio, menos atriz, e esse pensamento nada construtivo me perseguiu por anos, oscilando dentro da minha cabeça e reduzindo a minha liberdade criativa.

Em 2008, junto com alguns amigos atores, criei a Gambiarra - A Festa, um projeto de música brasileira que ficou conhecido nacionalmente e internacionalmente, virando um grande case de marketing. Reuníamos 5 mil pessoas por evento e rodamos o Brasil e Exterior com nossos djs e artistas convidados. Fizemos blocos de carnaval, lançamos grandes nomes como Iza e Ludmilla e mudamos a cena da noite paulistana com o conceito de brasilidades. Fiquei por lá 16 anos gerenciando equipes e fazendo a Direção Artística e Comercial de todo o negócio, ao mesmo tempo que sempre mantive minha carreira de atriz no teatro. Na verdade, fazia de tudo por lá, até pendurar bandeirinha na pista de dança durante as festas juninas. Ali aprendi sobre formar um time, sobre criar e realizar sonhos e, principalmente, a lidar com imprevistos, essa grande característica que envolve a profissão de produtora - aos poucos vou contando por aqui sobre essa fase da minha vida.

Mas o pensamento sempre continuava: será que essa energia de empreendedora deveria ser só direcionada para minha carreira de atriz? Estaria eu me perdendo pelo caminho?

Há 2 anos, então, saí da sociedade da Gambiarra. Não porque eu não acredite mais no projeto, pelo contrário, acho que a Gambiarra foi fundamental para a construção de uma imaginário inclusivo e libertário no País, mas porque eu precisava caminhar agora com minhas pernas próprias, conectando meu lado artista com meu lado empreendedora, sem muletas de sócios ou fachadas, sem ter que negociar alguns valores que para mim se tornavam urgentes e precisavam de espaço. Eu precisava ocupar o lugar que já estava aberto para mim por completo - só eu que não estava enxergando, ou melhor, já estava vendo pela fresta.

Assim, em 2024 comecei a estruturar a Mulher Telepática, minha agência e produtora, que reúne não só meus trabalhos autorais (meu lado artista), mas um grupo de artistas e projetos que admiro e que tenho orgulho em representar, produzir ou indicar (meu lado empreendedora) para agências e clientes. De ser essa ponte de conexão para talentos, ideias e criações artísticas com o mundo corporativo e institucional - com todo conhecimento e habilidades que adquiri pela vida afora. Captando recursos para quem cria ou criando para quem tem o capital pra investir. E tudo isso com afeto e dedicação, meu fio condutor de trabalho sempre. A Mulher Telepática, então, é isso tudo que sou e que construí ao longo da minha vida. Essa capacidade de finalmente reunir meus dois lados e colocar em movimento esse fluxo criativo em ação!


Então, se você chegou até aqui, seja bem-vindo (a) a este site!

Se gostou e quer saber mais, deixe seu email nos contatos ou siga a Mulher Telepática nas redes.

Será um prazer agora compartilhar por aqui minhas novas andanças e descobertas, e contar um pouco mais sobre como cheguei aqui nos próximos posts.

Ah, e também saber onde reverbera esse texto em você que me lê agora.


Beijo telepático!

Ate breve!


Anna Cecília Junqueira.

 
 
 
Foto do escritor: Anna Cecília Junqueira
Anna Cecília Junqueira
23 de out. de 2024

Atualizado: 28 de out. de 2024

Nasci pequena e me formei grande, pelo avesso.

Me misturei com as formigas Manoelas para sonhar cidades escuras, subterrâneas, proibidas.

O cheiro do cavalo na roupa suada apontava meu devido norte.

Mas foi o gosto de madeira de palco que me levou.

 

Me encantei com as palavras. Escritas e faladas.

Escutei os erros que me atravessaram.

Mudei de rotas. Bebi chá de boldo.

Achando que havia lugar de chegada.

 

Certa manhã, curei minhas avós em outros planos.

Soltei as amarras que nos costuravam –

no medo, no silêncio, na culpa e na dor.

Saboreei flores, respirei sonhos e me joguei no horizonte da criação.

E os passarinhos vieram me soprar: nada fica.

Você passa, nós passamos.

Olhei fundo, enxerguei nuvens.

E ambos se foram. O que restou?

Um rastro de formiga que voou.

 
 
 
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